WLSA Moçambique A WLSA registou 74818 visitantes únicos até hoje. Pormenores da pintura "Poema à sofridão da mulher", Malangatana Valente Ngwenya, colaboração do artista
Livro (em PDF):
Estudo de caso na província de Manica, distritos de Tambara e Machaze
Autoras: Conceição Osório, Tereza Cruz e Silva Mais publicações
Produtos artesenais, criados por mulheres; as receitas recolhidas revertem a favor de projectos de solidariedade. Uma iniciativa da Acção para a Justiça e Paz
Livro (em PDF):
Género e sexualidade entre jovens estudantes do ensino secundário, Moçambique
Autoras: Conceição Osório, Tereza Cruz e Silva Mais publicações |
Maria, minha ou mortaVerena StolckePublicado em “Outras Vozes”, nº 5, Novembro de 2003
Em Espanha, até esta altura do ano1, dez mulheres já foram assassinadas pelos seus maridos, ex-maridos ou companheiros. A percentagem de mulheres espanholas que se declararam vítimas de maus-tratos domésticos em 2002, registou uma descida insignificante. A violência de género tem lugar em todas as classes sociais e a Espanha não é diferente neste aspecto. Em quase todos os países do mundo a violência doméstica está entre as principais causas de lesões físicas das mulheres. Em alguns deles, inclusive, a maioria das visitas hospitalares de mulheres é devida a agressões sofridas no seio da família. As agressões físicas a mulheres costumam ser acompanhadas de intimidação e de ameaças verbais, abusos emocionais e castigos da parte do agressor, que culpa a própria vítima atribuindo-lhe condutas que desafiam a sua autoridade e controle. Por sua vez, estas agressões abalam a auto-estima e restringem a autonomia das mulheres. Ao longo da história a violência doméstica tem sido típica de sociedades onde as mulheres têm estado subordinadas aos homens. Certas características estruturais e ideológicas de sociedades hierárquicas propiciam as agressões de género na família. A desigualdade social está associada à desigualdade de género. Em sistemas autoritários em que os homens controlam os recursos primordiais como o dinheiro, a alimentação, a habitação, a educação, eles também controlam o acesso das mulheres e dos(as) filhos(as) aos mesmos. Tais estruturas de domínio masculino são legitimadas mediante ideologias que opõem os homens, tidos como fortes, valentes e justos às mulheres, que por natureza são débeis e pouco de fiar. Portanto, elas dependem da “protecção”, leia-se controle, dos seus homens que as tratam como se fossem sua propriedade pessoal. Se elas se atrevem a contrariar o domínio dos seus homens, é justo que sejam castigadas, inclusive assassinadas. No entanto, a violência doméstica não é um fenómeno universal. Dispomos de evidência de épocas e de sociedades em que as mulheres não estavam subordinadas aos homens. Em sociedades de caçadores-recolectores, por exemplo, as mulheres eram consideradas iguais aos homens. Estes povos viviam em pequenos grupos nómadas de tamanho variável. Prevalecia uma divisão sexual das tarefas mas esta diferença não implicava desigualdade de género. Como assinalou o antropólogo Marshall Sahlins, as suas escassas necessidades vitais eram satisfeitas com comodidade. O casamento não dotava o marido de autoridade especial e as mulheres podiam dissolvê-lo em caso de desavenças. A autoridade não dependia do sexo mas era atribuída pelo grupo de acordo com as habilidades pessoais e a idade. Mulheres e homens participavam na tomada de decisões em pé de igualdade. Os conflitos eram resolvidos pelo grupo cuja sobrevivência exigia que se evitassem episódios de violência física. Estas sociedades igualitárias foram vítimas da expansão colonial europeia e da implantação global de uma economia regida pelo capital, com as múltiplas desigualdades que isso implica. Não obstante, estes exemplos etnográficos servem-nos como prova de que o nosso modo de vida competitivo e violento não é inevitável. Se é certo de que graças ao movimento feminista a violência doméstica deixou de ser um problema oculto, também há indícios de que a progressiva emancipação das mulheres intensificou, em certas épocas, a agressividade dos homens. Nota:- Escrito em Abril de 2003
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Textos publicados:- Proposta de lei contra a violência doméstica: processo e fundamentos, Ximena Andrade, 2009
- Deixando cair o véu... A violência doméstica contra as mulheres na comunicação social, WLSA Moçambique, 2009
- Mulheres com formação superior e emprego remunerado: mulheres emancipadas? Alberto Cumbi, 2009
- Os movimentos sociais e a violência contra a mulher em Moçambique: marcos de um percurso, Ana Maria Loforte, 2009
- Poligamia: tudo em nome da "tradição", Yolanda Sithoe, 2009
- Tráfico de Mulheres & Mundial de Futebol 2010: risco de aumento da exploração sexual ligada ao tráfico, WLSA Moçambique, 2009
- Proposta de lei contra a violência doméstica: ponto de situação, WLSA Moçambique, 2009
- Identidades de género e vida sexual, Conceição Osório e Teresa Cruz e Silva, 2008
- Persistência da desigualdade: quando é que as mulheres poderão decidir por si mesmas? Misete Getessemane Cossa, 2008
- Dinâmicas familiares e percepções de pobreza e género em Moçambique, Ana Loforte, 2008
- A propósito da discussão da proposta de lei contra a violência doméstica: de que vale ter um grande número de mulheres no parlamento? Maria José Arthur, 2008
- Acesso e exercício do poder político pelas mulheres, Conceição Osório, 2007
- Não reconhecimento da União de Facto: uma forma de discriminação contra as mulheres, Ana Cristina Monteiro, 2007
- A socialização escolar: educação familiar e escolar e violência de género nas escolas, Conceição Osório, 2007
- Noções de sexualidade: respondendo às necessidades dos jovens em matéria de saúde sexual e reprodutiva, Ana Maria Loforte, 2007
- Identidades sociais / identidades sexuais: uma análise de género, Conceição Osório, 2006
- Instâncias locais de resolução de conflitos e o reforço dos papéis de género. A resolução de casos de violênica doméstica, Maria José Arthur e Margarita Mejia, 2006
- Abuso da pessoa idosa - um assunto vivo, Help Age Moçambique, 2006
- Quando os políticos legitimam a violência doméstica..., Ana Cristina Monteiro, 2006
- Quando éramos meninas novas, Valuarda Monjane, 2006
- Sociedade matrilinear em Nampula: estamos a falar do passado? Conceição Osório, 2006
- Impacto psicológico da violência contra as mulheres, Henny Slegh, 2006
- A partir do feminismo vê-se um outro direito, Alda Facio, 2006
- Não é controlando o vestuário das mulheres que se pode travar o SIDA, Fórum Mulher, 2006
- Violência contra as mulheres e cumplicidades masculinas. Opinião, Maria José Arthur, 2005
- O abuso sexual no contexto da construção da sexualidade feminina, Conceição Osório, 2005
- Comunicados “Pela Eliminação da Violência Doméstica”, Fórum Mulher, WLSA Moçambique, AMMCJ, MULEIDE, 2005
- Da agressão à denúncia: análise de percursos de mulheres, Maria José Arthur e Margarita Mejia, 2005
- As boas meninas e as feministas; opinião, Maria José Arthur, 2005
- O caso das eleições legislativas de 2004, em Moçambique. Uma análise de género, Conceição Osório, 2005
- Violência doméstica: a fala dos agressores, Margarita Mejia e Maria José Arthur, 2005
- Feminização do SIDA em Moçambique, Teresa Cruz e Silva e Ximena Andrade, 2005
- Mitos sobre violência doméstica e a proposta de lei, Maria José Arthur, 2004
- O significado da viuvez para a mulher, Eulália Temba, 2004
- Mulheres, poder e democracia, Conceição Osório, 2004
- Políticas e estratégias para a igualdade de género: constrangimentos e ambiguidades, Ana Maria Loforte, 2004
- Gabinetes de Atendimento da Mulher e da Criança: análise dos casos registados, Margarita Mejia, Conceição Osório, Maria José Arthur, 2004
- Algumas reflexões sobre o funcionamento dos Gabinetes de Atendimento da Mulher e da Criança, 2000-2003 (1ª e 2ª parte), Conceição Osório, 2004
- Essas gravidezes que embaraçam as escolas. Violação dos direitos humanos das jovens adolescentes, Maria José Arthur e Zaida Cabral, 2004
- O aborto inseguro em Maputo, Fernanda Machungo, 2004
- Violência contra as mulheres, percepções e estratégias. Perspectivas da sociedade civil, Maria José Arthur, 2004
- Feminismo e direitos humanos das mulheres, Isabel Casimiro, 2004
- Mulheres Excedentárias. Recortes de imprensa, Maria José Arthur, 2004
- Algumas reflexões sobre a abordagem de género nas políticas públicas sobre o HIV/SIDA, Conceição Osório, 2004
- Homossexualismo e direitos humanos, Maria José Arthur, 2004
- Maria, minha ou morta, Verena Stolcke, 2003
- Administração da justiça: encruzilhadas, Conceição Osório, 2003
- Chiluva, nome de flor, de mulher e de… preservativo, Maria José Arthur, 2003
- Mulher, poder e tradição em Moçambique, Ana Maria Loforte, 2003
- Uma abordagem para a análise do Programa de Acção para a Redução da Pobreza, PARPA, Margarita Mejia, 2003
- A pluralidade dos sistemas jurídicos, Conceição Osório, 2003
- Ainda a propósito da Lei de Família: direitos culturais e direitos humanos das mulheres, Maria José Arthur, 2003
- Porque é que a poligamia é inaceitável na Lei de Família, à luz dos direitos humanos, Terezinha da Silva, Ximena Andrade, Lúcia Maximiano, Benvinda Levi, Maria José Arthur, 2003
- Assédio sexual e violação nas escolas, Maria José Arthur, 2003
- Lei de Família: Falemos de igualdade e justiça, WLSA Moçambique e Fórum Mulher, 2003
- Violência contra as mulheres: entre o relativismo cultural e a lei, Maria José Arthur, 2003
- O crime de violação na legislação em Moçambique. Análise legal do disposto no actual Código Penal, Irene Afonso, 2003
- Linguagem e discriminação. As mulheres não são de confiança, Maria José Arthur, 2003
- Crime e castigo (partes 1, 2 e 3), Conceição Osório, 2002/2003
- Lei de Família, activistas e a cidadania das mulheres, Maria José Arthur, 2002
- Sobre a proposta de Lei de Família, Irene Afonso, 2002
- A situação legal das mulheres em Moçambique e as reformas actualmente em curso, Conceição Osório e Maria José Arthur, 2002
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