WLSA Moçambique A WLSA registou 74818 visitantes únicos até hoje. Pormenores da pintura "Poema à sofridão da mulher", Malangatana Valente Ngwenya, colaboração do artista
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Estudo de caso na província de Manica, distritos de Tambara e Machaze
Autoras: Conceição Osório, Tereza Cruz e Silva Mais publicações
Produtos artesenais, criados por mulheres; as receitas recolhidas revertem a favor de projectos de solidariedade. Uma iniciativa da Acção para a Justiça e Paz
Livro (em PDF):
Género e sexualidade entre jovens estudantes do ensino secundário, Moçambique
Autoras: Conceição Osório, Tereza Cruz e Silva Mais publicações |
Chiluva, nome de flor, de mulher e de… preservativoMaria José Arthur
Publicado em “Outras Vozes”, nº 5, Novembro de 2003
Fomos um dia destes contactadas por uma leitora do Outras Vozes, que nos colocou como preocupação o facto da nova marca nacional de preservativo se chamar “Chiluva”. Chiluva, que sempre foi nome de flor e de mulher, é agora também a designação comercial de um preservativo. Já nos tínhamos habituado a ouvir e a ver as campanhas publicitárias em que homens e mulheres diziam ser necessário “ir com Jeito” (a marca de preservativo bem conhecida por todos), invocando assim uma decisão conjunta. Agora, com a nova marca, se calhar vamos ver e ouvir homens a dizerem que “nunca se separam da sua Chiluva”. Jogando então com um trocadilho entre a Chiluva-mulher e a Chiluva-preservativo. Não só não se entende como também nos desgosta. Uma mulher não é um preservativo. Uma mulher não é um objecto para o prazer sexual. O preservativo é um dispositivo para ser usado nas relações sexuais e serve tanto de protecção para as DTS/SIDA, como de meio anticoncepcional para evitar a gravidez. E as relações sexuais devem ser praticadas entre indivíduos conscientes do que fazem e com base num mútuo consentimento. Homens e mulheres devem poder escolher os seus parceiros, devem poder decidir se e quando querem ter relações sexuais. Têm ambos direito ao sexo seguro, sem receios nem medos. Têm direito ao carinho e ao prazer. No entanto, não é por acaso que as campanhas de educação que apostaram na consciencialização das mulheres para incrementar o uso do preservativo não estão a ter muito resultado. E a razão para tal insucesso é que nas nossas sociedades a sexualidade é construída de modo a dar aos homens a possibilidade de controlar a vida sexual, a sua e a da(s) parceira(s). O que é o mesmo que dizer que, no casamento – e por extensão no namoro -, a mulher deve estar sempre disponível, porque é ao homem que compete decidir como e quando deve ser conduzida a vida sexual de ambos os parceiros. Assim, segundo as normas vigentes, o sexo para as mulheres é potencialmente coercivo. Potencialmente coercivo quer dizer: o marido tem direito a exigir serviços sexuais por parte da esposa, o que é socialmente aceite, inclusive no Código Penal em vigor. Por isso, a figura “violação no casamento” não existe ainda na lei. Este poder masculino obviamente que inclui a decisão de usar ou não o preservativo porque, em última instância, é o homem que tem a palavra. Não estamos a negar a existência de casais em que ambos decidem em conjunto a sua vida sexual. Afirmamos simplesmente que segundo o modelo dominante, um homem não precisa do consentimento da sua parceira e pode dispensá-lo. Isso faz parte das suas prerrogativas. Por isso, consciencializar simplesmente as mulheres não basta, é preciso dar-lhes poder. É assim que, na prática, o preservativo é masculino não só porque está adaptado ao órgão sexual masculino, mas também porque são os homens quem decidem do seu uso ou não. Então, porque é que se dá um nome feminino a um preservativo masculino para ser usado por homens? O que vem a Chiluva fazer no meio disto? Porque não chamá-lo de Mateus, de Cossa ou de Filimone? Juntamo-nos à indignação suscitada pela escolha deste nome para marca comercial de um preservativo masculino. Solidarizamo-nos com as Chiluvas mulheres, que como cidadãs merecem todo o respeito a que têm direito e que se repugnam pelo uso que se está a fazer do seu nome. Lamentamos que os responsáveis por esta decisão insultuosa e de mau gosto não tenham buscado referências que não sejam atentatórias à dignidade das mulheres. * * * |
Textos publicados:- Proposta de lei contra a violência doméstica: processo e fundamentos, Ximena Andrade, 2009
- Deixando cair o véu... A violência doméstica contra as mulheres na comunicação social, WLSA Moçambique, 2009
- Mulheres com formação superior e emprego remunerado: mulheres emancipadas? Alberto Cumbi, 2009
- Os movimentos sociais e a violência contra a mulher em Moçambique: marcos de um percurso, Ana Maria Loforte, 2009
- Poligamia: tudo em nome da "tradição", Yolanda Sithoe, 2009
- Tráfico de Mulheres & Mundial de Futebol 2010: risco de aumento da exploração sexual ligada ao tráfico, WLSA Moçambique, 2009
- Proposta de lei contra a violência doméstica: ponto de situação, WLSA Moçambique, 2009
- Identidades de género e vida sexual, Conceição Osório e Teresa Cruz e Silva, 2008
- Persistência da desigualdade: quando é que as mulheres poderão decidir por si mesmas? Misete Getessemane Cossa, 2008
- Dinâmicas familiares e percepções de pobreza e género em Moçambique, Ana Loforte, 2008
- A propósito da discussão da proposta de lei contra a violência doméstica: de que vale ter um grande número de mulheres no parlamento? Maria José Arthur, 2008
- Acesso e exercício do poder político pelas mulheres, Conceição Osório, 2007
- Não reconhecimento da União de Facto: uma forma de discriminação contra as mulheres, Ana Cristina Monteiro, 2007
- A socialização escolar: educação familiar e escolar e violência de género nas escolas, Conceição Osório, 2007
- Noções de sexualidade: respondendo às necessidades dos jovens em matéria de saúde sexual e reprodutiva, Ana Maria Loforte, 2007
- Identidades sociais / identidades sexuais: uma análise de género, Conceição Osório, 2006
- Instâncias locais de resolução de conflitos e o reforço dos papéis de género. A resolução de casos de violênica doméstica, Maria José Arthur e Margarita Mejia, 2006
- Abuso da pessoa idosa - um assunto vivo, Help Age Moçambique, 2006
- Quando os políticos legitimam a violência doméstica..., Ana Cristina Monteiro, 2006
- Quando éramos meninas novas, Valuarda Monjane, 2006
- Sociedade matrilinear em Nampula: estamos a falar do passado? Conceição Osório, 2006
- Impacto psicológico da violência contra as mulheres, Henny Slegh, 2006
- A partir do feminismo vê-se um outro direito, Alda Facio, 2006
- Não é controlando o vestuário das mulheres que se pode travar o SIDA, Fórum Mulher, 2006
- Violência contra as mulheres e cumplicidades masculinas. Opinião, Maria José Arthur, 2005
- O abuso sexual no contexto da construção da sexualidade feminina, Conceição Osório, 2005
- Comunicados “Pela Eliminação da Violência Doméstica”, Fórum Mulher, WLSA Moçambique, AMMCJ, MULEIDE, 2005
- Da agressão à denúncia: análise de percursos de mulheres, Maria José Arthur e Margarita Mejia, 2005
- As boas meninas e as feministas; opinião, Maria José Arthur, 2005
- O caso das eleições legislativas de 2004, em Moçambique. Uma análise de género, Conceição Osório, 2005
- Violência doméstica: a fala dos agressores, Margarita Mejia e Maria José Arthur, 2005
- Feminização do SIDA em Moçambique, Teresa Cruz e Silva e Ximena Andrade, 2005
- Mitos sobre violência doméstica e a proposta de lei, Maria José Arthur, 2004
- O significado da viuvez para a mulher, Eulália Temba, 2004
- Mulheres, poder e democracia, Conceição Osório, 2004
- Políticas e estratégias para a igualdade de género: constrangimentos e ambiguidades, Ana Maria Loforte, 2004
- Gabinetes de Atendimento da Mulher e da Criança: análise dos casos registados, Margarita Mejia, Conceição Osório, Maria José Arthur, 2004
- Algumas reflexões sobre o funcionamento dos Gabinetes de Atendimento da Mulher e da Criança, 2000-2003 (1ª e 2ª parte), Conceição Osório, 2004
- Essas gravidezes que embaraçam as escolas. Violação dos direitos humanos das jovens adolescentes, Maria José Arthur e Zaida Cabral, 2004
- O aborto inseguro em Maputo, Fernanda Machungo, 2004
- Violência contra as mulheres, percepções e estratégias. Perspectivas da sociedade civil, Maria José Arthur, 2004
- Feminismo e direitos humanos das mulheres, Isabel Casimiro, 2004
- Mulheres Excedentárias. Recortes de imprensa, Maria José Arthur, 2004
- Algumas reflexões sobre a abordagem de género nas políticas públicas sobre o HIV/SIDA, Conceição Osório, 2004
- Homossexualismo e direitos humanos, Maria José Arthur, 2004
- Maria, minha ou morta, Verena Stolcke, 2003
- Administração da justiça: encruzilhadas, Conceição Osório, 2003
- Chiluva, nome de flor, de mulher e de… preservativo, Maria José Arthur, 2003
- Mulher, poder e tradição em Moçambique, Ana Maria Loforte, 2003
- Uma abordagem para a análise do Programa de Acção para a Redução da Pobreza, PARPA, Margarita Mejia, 2003
- A pluralidade dos sistemas jurídicos, Conceição Osório, 2003
- Ainda a propósito da Lei de Família: direitos culturais e direitos humanos das mulheres, Maria José Arthur, 2003
- Porque é que a poligamia é inaceitável na Lei de Família, à luz dos direitos humanos, Terezinha da Silva, Ximena Andrade, Lúcia Maximiano, Benvinda Levi, Maria José Arthur, 2003
- Assédio sexual e violação nas escolas, Maria José Arthur, 2003
- Lei de Família: Falemos de igualdade e justiça, WLSA Moçambique e Fórum Mulher, 2003
- Violência contra as mulheres: entre o relativismo cultural e a lei, Maria José Arthur, 2003
- O crime de violação na legislação em Moçambique. Análise legal do disposto no actual Código Penal, Irene Afonso, 2003
- Linguagem e discriminação. As mulheres não são de confiança, Maria José Arthur, 2003
- Crime e castigo (partes 1, 2 e 3), Conceição Osório, 2002/2003
- Lei de Família, activistas e a cidadania das mulheres, Maria José Arthur, 2002
- Sobre a proposta de Lei de Família, Irene Afonso, 2002
- A situação legal das mulheres em Moçambique e as reformas actualmente em curso, Conceição Osório e Maria José Arthur, 2002
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